Simplesmente Renato

Jamais me perdoarei por não ter postado no sábado uma homenagem digna ao homem que tantas vezes me fez dormir.
Renato pra mim é mais que um ídolo. É quase uma religião. Um amigo pra me cantar o que preciso ouvir.
"teu corpo é meu espelho e em ti navego"
Se estivesse vivo ele estaria completando 50 anos. 50 anos de uma vida dedicada a fazer as pessoas sonharem com as suas letras formidáveis.

        "minha laranjeira verde por que está tão prateada?"

As pessoas podem não gostar, mas falar mal desse cara que marcou uma época eu não admito. Por favor, respeitem esse ícone que foi o gay mais homem que já existiu.

       "somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião"

Renato significa ressurreição. E podem ter a certeza que ele ainda vive, pelo menos, dentro do meu coração.

     "Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber. Afinal, amar o próximo é tão demodé"

Fórmula da genialidade

Cada dia mais eu me impressiono com a capacidade criativa das pessoas.
Estou falando dos videoclipes fantásticos que a OK Go vem fazendo há um tempo já. Pra quem não conhece, a OK Go é uma banda de rock alternativo que surgiu em Chicago por volta de 1998. Lá fora eles são bem conhecidos, aqui nem tanto, mas é impossível não se apaixonar pelo som dos caras.
O primeiro clipe desses norte-americanos amalucados foi um sucesso de internet e é quase impossível achar alguém que ainda não tenha visto "Here It Goes Again". Se você ainda não viu, não perca essa chance!!



Mas claro que eles não iam parar por aí! Damian, Tim, Dan e Andy tem mais alguns clipes surpreendentes que se eu for citar aqui esse post vai ficar gigante.
Porém nada jamais se comparará a " This Too Shall  Pass" que tem dois videoclipes diferentes!!! A primeira versão é um vídeo absurdamente maravilhoso e com uma ideia tirada do fundo do baú que funcionou de uma forma espetacular. Certamente um dos melhores clipes que eu já vi na vida e admito que tenho até uma certa inveja por não ter dirigido esse clássico!



 A segunda versão é tão genial quanto a primeira!! Mas como não achei no YouTube nenhuma incorporação disponível deixo o link pra assistir lá.
Caramba. De onde será que eles tiram tantas ideias tão... tão... nem tem uma palavra disponível pra explicar!

Deve ser por isso que tem tanta banda aí fazendo clipes bem ruins. A OK Go roubou a fórmula da genialidade e guardou só pra uso próprio.

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A Hospedeira

A Hospedeira” é o novo Best-seller da escritora mais badalada do momento, Stephenie Meyer. A autora da série “Crepúsculo, em seu novo romance, viaja num mundo onde um inimigo alienígena invade a terra a procura de um novo lugar para se hospedar.
Aventura, combates e sentimentos à flor da pele recheiam as páginas desse maravilhoso thriller que narra a história da resistência humana em meio a um ambiente hostil pela perspectiva de uma invasora.
Peregrina é uma “alma” que é designada a apoderar-se do corpo de uma hospedeira para vasculhar sua mente atrás de informações sobre os humanos remanescentes, mas ela jamais poderia imaginar que isso seria tão difícil.
Melanie recusa a abandonar seu corpo e Peregrina é obrigada a conviver com pensamentos e lembranças que não lhe pertencem. Assim, ela acaba cedendo aos caprichos de Melanie e ao irresistível amor que a moça sente por Jared.
A própria autora define o livro como uma ficção científica que não parece uma ficção científica. “É um triângulo amoroso com apenas dois corpos” e eu não discordo dessa definição.
Acontecimentos inesperados e final surpreendente não me deixaram desgrudar os olhos das páginas um minuto sequer. Stephenie escreve de uma forma sublime e fez com que eu me sentisse a própria personagem principal, absorvendo todos seus medos e dúvidas.
É possível amar uma pessoa com a mente e outra com o coração? “A Hospedeira” prova que sim.

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Snoopy em miniatura. Eu quero!

Se tinha um desenho animado que eu não perdia nas manhãs da minha infância esse era Snoopy.
Como eu adorava quando ele dormia em cima da sua casinha e fazia suas trapalhadas ao lado de Charlie Brown e do passarinho Woodstock.
Mas a verdadeira razão desse post é que a série "Peanuts" está completando 60 anos e a editora de história em quadrinhos Dark Horse vai lançar uma coleção de bonequinhos em homenagem a essa data.
As peças têm o mesmo visual das tiras publicadas na década de 50 e trazem os personagens da turma do Snoopy. 

As peças comemorativas devem chegar às lojas dos Estados Unidos em 7 de julho e custarão US$ 49,95 (cerca de R$ 90).



Essas coisinhas fofas vêm dentro de uma caixa metálica e ainda há um broche e um livro.  Mas é uma edição limitadíssima porque foram produzidas apenas 950 unidades, ou seja, é um material para quem é realmente fã.
Espero que cheguem a ser vendidas no Brasil também, afinal R$90 nem é tão caro assim pra quem teve a infância marcada por essa turminha super legal!

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VOU CONFESSAR QUE...

Algumas vezes eu tenho medo de escuro
e que eu não consigo dormir depois de ver um filme de terror.
Eu já chorei sozinha no quarto mesmo sem ter motivo nenhum
e também já chorei tendo todos os motivos do mundo.
Eu já saí, mesmo querendo ficar em casa, só pra ver alguém
e já fui embora de vários lugares cansada de tanto esperar.
Eu tenho mais ciúmes dos meus amigos do que dos meus namorados
e que meus namorados um dia já foram meus amigos.
Eu leio 20 vezes o mesmo livro e vejo 20 vezes o mesmo filme
quando eu não estou escutando uma música até enjoar.
Eu adoro piadas idiotas
e nunca dou risada das que realmente tem graça.
Não tenho medo de mudar radicalmente qualquer coisa
seja cabelo, roupa ou opinião.
Tenho no armário coisas que nunca usei
e também algumas não posso mais usar de tão gastas.
Às vezes eu digo que não gosto de uma coisa quando na verdade adoro
depois chego em casa e dou risada.
Eu lembro de épocas da minha vida pelo cheiro
como o protetor solar que eu usava no clube, o halls de laranja de um amigo, o perfume de outro e o cheirinho que saia da árvore onde a gente sentava pra tocar violão.
Eu nunca penso antes de falar
e na maioria das vezes não me arrependo.
Já parei no hospital por causa de porre
e já levei pessoas de porre ao hospital.
Um dia eu já gostei de Sandy & Júnior e Backstreet boys e
até me fantasiei de cigana Dara e Branca de Neve.
A cor das minhas unhas estão sempre de acordo com meu humor
e escrevo mais do que as pessoas conseguem ler.
Eu sempre me apaixono e quebro a cara,
mas já quebrei a cara de quem se apaixonou por mim.
Dei muito valor a quem não merecia
mas hoje eu só gosto de quem gosta de mim.

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Robert pra todos os gostos

Que o Robert Pattinson é o queridinho do momento todo mundo já ta cansando de saber, mas não é que agora o moço foi realmente imortalizado como seu personagem Edward de Crepúsculo. Calma, eu explico.
Rob ganhou uma estátua de cera no famoso museu Madame Tussaud, em Londres, na Inglaterra. Sim, agora vai ser mais fácil chegar perto e dar uma apalpadinha nele sem ter um milhão de seguranças na volta. Olha só aí na foto as meninas tirando uma casquinha.


 E não é que ta super parecido?! Dá até medo!

Mas não é só por esse motivo que o gato garoto ta em evidência nesse momento. Ele acaba de estrear seu ultimo filme, "Lembranças", que chegou ao Brasil dia 12 de março, mas ainda não deu as caras em Pelotas.
E não pensem que ele interpreta um belo rapaz bem educado como em Crepúsculo. Muito pelo contrário. Nesse drama dirigido por Allen Coulter, Robert interpreta Tyler, um típico garoto-problema americano com o cabelo desgrenhado, fumando incessantemente, roupas mal arrumadas e emocionalmente confuso.
E adivinhem, é lógico que ele tem par romântico! A eleita é Emilie de Ravin (Claire, de 'Lost'), que interpreta Ally, a filha de um policial que já havia prendido Tyler. Os dois pombinhos acabam se apaixonando após uma aposta feita entre Tyler e um amigo, então isso não vai dar boa coisa. O pai de Tyler é interpretado por ninguém mais ninguém menos que o ex-James Bond Pierce Brosnan.
Mesmo não sendo uma fã de carteirinha do Robert to bem afim de dar uma passadinha no cinema e dar uma olhada nesse filme. Pode ser que assim eu pare de pensar nele como Edward.

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Alice underground

Não sei vocês, mas eu to absolutamente ansiosa pra estreia de "Alice" do Tim Burton!
As imagens que vazaram na internet e o trailler são fantásticos, bem ao estilo soturno e psicodélico de um dos meus diretores preferidos.
E já vou lembrando de antemão a quem pensa que o filme é uma cópia fiel do livro de Lewis Carrol:
Alice é uma adaptação livre e misturada dos dois livros que citam a menina loirinha, "As aventuras de Alice no País das Maravilhas", de 1865, e sua continuação, "Através do espelho", lançada em 1872. Por isso depois não venham reclamar que eu não avisei, ok?!
Só pra ter uma ideia o filme já arrecadou  mais US$116 milhões de dólares no primeiro fim de semana da estreia nos EUA. Aqui no Brasil o "Alice" só chega no dia 21 de abril, junto com o feriado de Tiradentes, mas lógico que em Pelotas deve demorar bem mais.
Aqui também não tem a versão em 3D, o que me deixa realmente aborrecida, por isso acho que vou ter juntar uma grana extra e ir pra Porto Alegre. Afinal, esse filme é quase um acontecimento histórico. Na minha humilde opinião, lógico.
Outra razão pra me fazer esperar loucamente pelo filme é o simplesmente MARAVILHOSO Johnny Deep. Além de ser um colírio, o cara encarna o personagem e arrasa!!  Acho que ele dispensa qualquer outro comentário.
Então deixo vocês com um gostinho de "Alice no País das Maravilhas"


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Pra não perder o costume

Para o meu vasto grupo de 3 leitores tenho uma notícia pra dar... Vou ter que parar de escrever meus devaneios e historinhas por um tempo.
Pois então, tenho uma matéria na faculdade que se chama "Jornalismo Digital" e por isso nos próximos meses vou ter que escrever coisas com algum sentido. Óbviamente viajarei como de costume, mas o céu não é mais meu limite! Haha, afinal vale nota.
Mas só pra não perder o costume aqui vai um dos meus últimos textos

"Péssima companhia"

Eu desejava que estivesse chovendo.
Olhando para o sol que ardia no meu rosto eu desejava que estivesse chovendo.
Aquele calor me sufocava e cozinhava cada célula do meu corpo no meu próprio suor.
Eu nunca gostei do verão. O tempo quente sempre me parece uma desculpa pra desfilar por aí mostrando carne em promoção. Um imenso açougue lotado de canibais famintos.
Estava tão quente que eu sequer podia pensar. Se eu me mexesse, por menor que fosse o movimento, já brotavam gotas salobras na minha testa.
O mundo estava acabando e o inferno era aqui.
Mesmo com a chegada da noite a sensação térmica não diminuía. Meu humor sempre foi inversamente proporcional a quantidade de calor existente.
Logo, eu nunca serei uma boa companhia nas férias.

365

 Passei tanto tempo contando os dias e eles se foram.
Se foram junto com os suspiros que deixei pelos cantos.
As horas se esgotam infalivelmente e eu penso em tudo que ficou pra trás. 365 lembranças que talvez não caibam na minha cabeça. Sim, provavelmente algo será esquecido.
365 dias que no início pareciam uma imensidão e no fim não passaram de um borrão.
Alguns sorrisos, fartos abraços, poucas lágrimas e muitas palavras. As alegrias e tristezas eu ainda carrego comigo e essas vão me acompanhar aonde eu for.
Somei tantos amigos que acabei diminuindo os inimigos. Dividi meu coração em infinitos pedaços e principalmente multipliquei meus planos.
Não tenho nada a pedir porque tudo o que eu peço nunca dá certo.
A única coisa que eu tenho é esperança. Esperança de crescer, amadurecer e mudar. Mas isso eu já tenho faz tempo.

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E se...


E se o céu for só uma ilusão
e se o paraíso for só uma invenção.
O que você faria querido?
E se tudo pelo que você luta for em vão
e se tudo o que você acredita for sem razão.
O que você faria querido?

Ficaria parado vendo o tempo passar
ou empunharia a sua adaga sagrada?
Enfrentaria seus irmãos pra protestar
ou ajudaria todos eles a errar?
O que você faria querido?

Prove que é diferente e que é digno de andar entre essa gente
faça a sua escolha mais sensata e não exite em usar a sua graça
pois eu vou estar aqui.

Pra te levantar se você cair.
Pra ajudar quando você pedir.
Pra acreditar mesmo quando mentir.
Não importa querido, estarei aqui.

E então quando tudo acabar
talvez você possa me mostrar
todas as coisas que não consigo enxergar
mas que de algum jeito sei que estão lá.
Entendo que essa espera pode ser em vão
e que o meu sentimento é uma via de uma mão
só que agora, querido, eu vou correr o risco
mesmo que depois meu fim seja outro início

Nada mais importa pra mim meu pequeno anjo...
É tarde demais!

Eu escolhi te amar para sempre e sei que pra você tanto faz.
Não, não quero te ouvir
porque já sei o que vai me dizer
guarde suas palavras pra si mesmo
quem sabe um dia você possa entender
que é o simples som da sua voz ou a luz do seu olhar
que me faz querer morrer ou viver
depende de onde você vai estar.

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1° pessoa do plural


Nós já sabíamos que não ia dar certo, porém a teimosia é um adjetivo que nos cabe perfeitamente.
Não entendo porque insistimos tanto em construir algo que já estava fadado a desmoronar. Mesmo assim eu e você levantamos cada parede cuidadosamente e as vimos tombarem como um castelo de cartas.
Nada pudemos fazer a não ser observar.
Observar e lamentar pelo tempo que desperdiçamos juntos, mas vai ser esse mesmo tempo que vai costurar minha pele de volta no lugar.
Esse tempo é um cara engraçado. Te trouxe e te levou de mim tantas vezes que já nem sei mais e agora parece que ele cansou de viajar.
Eu também cansei de muitas coisas.
Você também cansou.
E esse nós continua habitando na minha caligrafia. Teimoso como eu e você.
Fico imaginando se nós tivéssemos percebido antes... Será que teria sido tão bom?
Certamente não estaria doendo, mas a minha não conheceria a sensação de limpar o suor do teu rosto.
Engraçado o jeito que eu ouço os sinos no seu sorriso. Engraçado e estranho já que você não está mais aqui.
E nós tentamos. Não conseguimos, mas tentamos.
Escrevemos algumas linhas no nosso caderninho e outras ainda estão sendo escritas enquanto penso em ti.
Me pergunto por onde você anda agora? Que caminhos te fizeram se afastar cada vez mais de mim?
Quer saber, também me importa mais! Sei que só tu amizade não é o bastante ou talvez seja exatamente isso que tenha faltado...
Mas agora não cabem mais especulações sobre o que foi ou o que podia ter sido e sim sobre o que será.
Como nós vamos nos equilibrar sem a mão do outro pra dar segurança?
Como você vai acordar sem o aroma do meu perfume e como eu vou dormir sem sua voz pra me ninar?
Talvez você nunca mais acorde e eu nunca mais durma.
Talvez seja esse o nosso destino: Permanecermos separados por conta dos vícios que criamos.
Ou quem sabe eu simplesmente comece a tomar calmantes e você compre um despertador.

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A parte que faltava em mim

Vesti meu jeans gasto e pus a mochila nas costas.
Abri as portas do meu futuro e fechei as do meu passado.
Saí sem olhar pra trás.
A rua estava vazia e minha companhia era o meu velho All Star.
Meu rumo era incerto, mas tinha um destino exato: Encontrar a parte que faltava em mim.
Eu me sentia incompleta como um quebra-cabeça que falta a última peça e eu queria ser terminada.
O sol se punha devagarinho como uma grande laranja prestes a ser devorada e gotas prateadas começavam a aparecer no infinito azul. Era tudo tão bonito que por alguns minutos esqueci do que tinha me proposto a fazer. Enfim a realidade me assaltou e eu segui atrás de algo que eu nem sabia onde procurar.

Então eu andei e andei. Vi coisas que nem pensava em ver, conheci lugares que sonhava em conhecer e ainda assim faltava alguma coisa. Dentro de mim eu sabia que quanto mais o tempo passava mais aquela elipse aumentava. Mas como eu poderia acabar com aquele vazio se não sabia com o que preenchê-lo?
Passei por muitas pessoas, deixei alguns amigos e levei muitas histórias. E o que eu queria permanecia camuflado. Uma brincadeira de pique-esconde que estava perdendo a graça.
Já nem lembrava mais há quanto tempo eu tinha começado minha jornada e às vezes eu não lembrava nem como era meu reflexo no espelho. Aposto que se me visse não me reconheceria. Porém sabia que essa seria uma longa viagem, uma longa viagem à procura do meu tesouro. Pena que meu mapa de localização nunca tenha existido.
Agora eu estava perdida e caminhando pra lugar nenhum. Começava a chover mesmo com o céu estrelado. Esta noite estava diferente, tudo parecia dar errado.
Eu sempre tive uma teoria sobre isso. Quando tudo está dando errado sempre está chovendo. Pelo menos na TV era assim e eu estava confirmando essa teoria.
Sentei na areia da praia desabitada. Já era tarde e eu sabia que não ia aparecer ninguém pra me incomodar. Eu estava completamente encharcada e não me importava com isso.
Ali percebi que já era hora de acabar com a minha aventura mesmo sem ter conseguido o que pretendia. Percebi que era tarde de mais pra mim. No fim das contas eu era assim e ponto. Não tinha um complemento.
Cada um tem o seu destino e aquele parecia ser o meu: Ser vazia e sozinha como essa praia que é sinônimo de calor, mas que quando anoitece é abandonada.

Tinha que ser assim.

Parti com expectativas e tudo o que encontrei foram mais questões.
Eu nunca acreditei muito em Deus, mas naquele momento podia senti-lo ali e se eu me esforçasse acho que poderia até vê-lo escondido entre as nuvens. Ninguém me ouviria ali a não ser Ele.
E aí eu gritei. Gritei com todo o ar dentro dos meus pulmões. Gritei pra Ele e talvez mais pra mim mesma que se essa era minha sina eu não a queria.
Eu não merecia ficar esquecida como uma lembrancinha dentro de uma gaveta.
Então corri pro mar.
Decidi que se eu não tinha tanta importância eu não seria mais nada.
Fui sendo levada pela correnteza e tive medo. Tentei não pensar em nada e só ouvir o barulho da água. Meu medo foi desaparecendo porque eu sabia que em breve tudo estaria acabado.
Meus ouvidos foram ficando abafados até o som cessar por completo, minhas vias respiratória ardiam como se eu estivesse respirando pequenas tachinhas e por fim a luz apagou.
Esperei quase que feliz pela inconsciência, mas pude sentir algo segurando meu corpo. Mãos?
Será que morrer era assim?
Eu sentia frio. Nunca gostei de calor então o frio era melhor mesmo.
Eu sentia vento. Era como se eu estivesse no meio de um furacão e ele me soprasse pra longe.
E eu vi luz.
Meus olhos estavam fechados, mas eu podia ver a luz tentando ultrapassar minha pálpebras. Eu devia estar no céu.
Fiz força para abrir os olhos e percebi que podia respirar. Doía, mas eu respirava! Morrer era mais do que eu imaginava.
Finalmente minha visão entrou em foco e eu pude ver. O rosto mais perfeito do mundo estava bem ali, meu anjo glorioso esperava para me levar. Eu sabia que suicidas não tinham um lugar no céu, mas naquela hora tudo parecia ser possível.
Meu anjo era lindo, mas pelo que eu havia lido eles eram criaturas maravilhosas. Procurei pelas asas e não as encontrei. Foi só aí que eu reparei na expressão e no olhar do anjo. Ele parecia apavorado e estava molhado também. O que havia de errado? Nós estávamos no céu o que poderia ser tão assustador?

A realidade!

O frio era da chuva que caía. O vento era da sua respiração. A luz era da lua.
Eu não tinha morrido droga nenhuma e o anjo era na verdade meu salvador.
Como eu odiei aquele momento.
Como eu odiei meu anjo.
Justamente agora que eu queria partir definitivamente. Justamente agora que eu queria parar de sofrer.
Por que ele me salvou? Ele não podia ter feito isso!!
É, Deus estava mesmo ali e certamente não gostava de mim. Estava me dando uma segunda chance que eu não queria... Estava desperdiçando Seu tempo com algo que não tinha mais solução.
E o anjo continuava ali me olhando.
Tentei me levantar e ele ajudou. Sentei na beira da praia completamente tonta e atordoada. Então ele falou:
― O que você estava fazendo? Tentando se matar?
Fiquei envergonhada demais pra responder e baixei a cabeça.
Ele continuou:
― Eu te ouvi gritar e correr. Primeiro pensei que estava fugindo de alguém, mas depois quando você estava afundando entendi o que estava tentando fazer ― a voz dele era raivosa, quase colérica.
― Então por que não me deixou em paz?! ― minha garganta ardia muito e a voz saiu como um suspiro baixo e deprimido.
Minha cabeça continuava abaixada porque agora eu não tinha forças o suficiente para levantá-la. Mesmo sabendo que a pergunta era retórica ele respondeu:
― Em paz? É, talvez eu devesse ter deixado você morrer... ― o tom de voz atenuou ― Desculpe.
Ficamos em silêncio por um tempo que me pareceu uma eternidade.
― Desculpa... eu não queria dizer aquilo. Mas é que... é que... Eu não entendo por que alguém como você queira desistir de tudo.
― Alguém como eu? ― perguntei com receio ― como assim? Sobre o que ele estava falando?
Ele pensou por alguns instantes e falou rápido demais:
― É, alguém tão jovem e cheia de vida. Eu posso ver seus olhos brilharem mesmo estando nesse estado horrível, quase afogada e molhada.
Eu não falei e desejei que ele não falasse mais também. Tudo que eu queria era desaparecer, mas na falta disso resolvi que dormir era uma boa opção. Deitei na areia.
Ele saltou pro meu lado com o olhar preocupado que eu já conhecia.
― Você está bem? Quer que eu te leve pra um hospital? É, acho que devo te levar pra ver um médico. ― percebi que ele não falava comigo e sim consigo mesmo.
― Não ― respondi ― Eu só quero que me deixe aqui, eu só quero dormir um pouco.
― Nesse caso vou ficar aqui até que sinta melhor ― e já estava deitado ao meu lado.
Vi que não podia fazer mais nada e nem queria fazer mais nada. Apenas fechei os olhos e vaguei pelos meus pensamentos confusos.
Quando acordei notei que não estava mais na areia e sim numa cama fofa dentro de um quarto mal iluminado. Assim que abri os olhos meu anjo sorriu. Depois ele cuidou de mim até eu sarar por completo.
Resolvi que era hora de partir mais uma vez.
Não perguntei seu nome nem ele o meu. Saí sem me despedir, como era de costume, mas deixei uma longa carta de agradecimento e promessas que eu esperava cumprir.
Meu rumo agora? Lar.
Finalmente eu tinha encontrado a parte que faltava em mim.
Na verdade não se tratava mais de mim e sim dos outros. Eu encontraria a felicidade se fizesse outras pessoas felizes. Eu não ficaria só se fizesse companhia pra alguém.
Deus me dera uma segunda chance e um anjo.
Eu voltei pra casa e fui feliz.

Caderno Secreto

Como é que posso te perder
se na verdade eu nunca tive você?
Por que será que dói te ver
com outra pessoa e finjo não me surpreender?
Saio andando pra outro lado
pego um rumo, uma nova direção
Não pode estar acontecendo agora,
mas que desgraçado esse meu coração

E hoje não sei se te amo ou esqueço de ti
Não sei se rasgo ou te mostro as linhas que escrevi
Talvez seja mais coerente fazer o que eu sempre fiz
Guardar meu caderno secreto e te deixar ser feliz

Como eu posso aguentar
sentir teu abraço e ter que me segurar?
Por que eu sempre perco a hora
e quando vou embora nem dá tempo de falar?
Que eu te escrevi esses versos
bem incertos, pra tentar compreender
O que se passa na minha cabeça confusa
toda vez que vou te ver

E hoje não sei se te amo ou esqueço de ti
Não sei se rasgo ou te mostro as linhas que escrevi
Talvez seja mais coerente fazer o que eu sempre fiz
Guardar meu caderno secreto e te deixar ser feliz

Mesmo que isso me faça sofrer
E pensar em ti sabendo que não vou te ter
Mas se alguém tem que perder, que seja eu
Pois no final das contas você nunca me pertenceu

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